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Chamo-me Sebastião Barata e resido em Lisboa. Tenho 79 anos e leio desde muito novo. Uso a minha grande biblioteca para fazer vídeos e áudios que divulgo nas minhas redes sociais. Sigam-me!

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Comentário ao livro “Cem Anos de Solidão” de Gabriel García Márquez

Gabriel García Marquéz nasceu em Aracataca, uma localidade na Colômbia, onde viveu até aos oito anos ao cuidado dos seus avós maternos. O seu avô, um coronel na reserva, era um veterano da guerra civil e a sua avó era uma apaixonada pelas tradições orais indígenas. As histórias que eles lhe contavam, encantavam o menino e exerceram forte influência nos livros que viria a escrever mais tarde. Um exemplo perfeito são as personagens de “Cem Anos de Solidão”.

Conta-se que García Marquéz, ao ler a primeira frase do livro “A Metamorfose” de Franz Kafka – “Quando Gregor Samsa despertou, certa manhã, de um sonho agitado viu que se transformara, durante o sono, numa espécie monstruosa de inseto.” – pensou: “Então eu posso fazer isso com as personagens? Criar situações impossíveis?” E foi o que ele fez ao popularizar na América Latina um estilo que ficou conhecido por “realismo mágico” e que Camilo Jose Cela, outro escritor de língua espanhola galardoado com o Prémio Nobel, também usou.

O romance “Cem Anos de Solidão” é o perfeito exemplo deste género de literatura. Inspirado nas histórias de guerra que ouviu do seu avô na infância e nas lendas e superstições dos indígenas que sua avó lhe contava, García Marquéz criou esta história fabulosa, que nenhum leitor vai esquecer. Na verdade, tudo o que vai ler, da primeira à última página é irreal e impossível de acontecer neste mundo com esta humanidade, mas está descrito com uma tal naturalidade e realismo, que o leitor segue a história com um interesse e curiosidade tal que só é capaz de a largar no final e é porque o livro o acaba, caso contrário continuaria a ler até ao fim da vida.

“Cem Anos de Solidão”, considerado a obra prima do autor, narra a história da família Buendía na cidade fictícia de Macondo, desde a sua fundação até à sétima geração. Gostava de contar aqui as razões que levaram o jovem casal José Arcadio Buendía e sua esposa Úrsula Iguarán a deixar a sua terra, acompanhados por outras famílias que os quiseram seguir, e se foram estabelecer num local inóspito, longe de tudo e de todos, fundando a povoação de Macondo à beira de um rio, no local menos mau que encontraram. Gostava de falar do seu filho Aureliano Buendía que se tornou um coronel lendário e um famoso guerrilheiro antigovernamental. Gostava de falar dos seus netos, bisnetos e restantes descendentes, cada um com as suas peculiaridades, até que a cidade de extinguiu cem anos depois de ser fundada, com a morte da centenária fundadora Úrsula Iguarán.

Mas são tantas e tão densas, tão estranhas e tão irreais as peripécias que se vão sucedendo, que se torna impossível dizer em poucas linhas algo que fizesse algum sentido. De modo que só há uma forma de ficar a conhecer esta sucessão de acontecimentos tão intensamente fantásticos e implausíveis, mas simultaneamente contados com um tal realismo, simplicidade e coerência, que se torna quase impossível para o leitor não acreditar neles e vivenciar as aventuras daquela família tão especial.

A única coisa que posso dizer é incentivar a que leiam este livro e lamentar como pude tê-lo tantos anos na minha estante e só agora o ler.

 

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