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Chamo-me Sebastião Barata e resido em Lisboa. Tenho 79 anos e leio desde muito novo. Uso a minha grande biblioteca para fazer vídeos e áudios que divulgo nas minhas redes sociais. Sigam-me!

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Comentário ao livro “PLATERO E EU” de Juan Ramon Jiménez

Este pequeno livro ilustra maravilhosamente o género de poesia lírica que foi apanágio de Jiménez. É um conjunto de poemas em prosa poética e ilustra a relação entre Platero, um velho burro, e o seu dono, provavelmente um idoso, talvez viúvo e reformado, porque anda sempre vestido de negro e com longas barbas brancas, cujo nome nunca é pronunciado.

O autor, Juan Ramón Jiménez, foi um escritor espanhol, essencialmente um poeta, que foi galardoado com o Prémio Nobel da Literatura em 1956. Foi opositor ao regime do general Franco, pelo que teve de se exilar em 1936, passando o resto da sua vida em Porto Rico, depois de passar algum tempo noutros países. Foi sempre acompanhado pela sua esposa Zenobia Camprubí, também poeta, uma companheira e amiga fiel, cuja morte em 1955 o deixou numa grande depressão, vindo a faleceu três anos depois.

“Platero e Eu” terá sido escrito em 1907, segundo a data que consta no final do penúltimo poema, mas foi publicado em 1914. O último poema é uma dedicatória a Platero e terá sido escrito por altura da publicação. Jiménez tinha pouco mais de 30 anos quando o livro saiu e ainda não tinha casado com Zenobia. Na altura em que foi escrito, o autor residia em Moguer, a sua terra natal, uma pequena localidade situada no sul de Espanha perto de Huelva, na Andaluzia, que terá inspirado o cenário para o livro.

 

“Eu”, o narrador de “Platero e Eu”, começa por apresentar o seu burrinho: “Platero é pequeno, peludo, suave; tão macio, que dir-se-ia todo de algodão, que não tem ossos. Só os espelhos de azeviche dos seus olhos são duros como dois escaravelhos de cristal negro.” Cada poema é ilustrado por um cândido desenho a uma só cor, mas muito sugestivo.

Ao longo do livro, “Eu” dialoga com o seu querido Platero sobre os acontecimentos do dia-a-dia. Falam dos seus passeios pelos campos, das flores, dos passarinhos, das crianças, dos pastores e dos seus rebanhos. Falam da aldeia, do povo, das festas religiosas, dos jardins, do “médico” de Platero, o velho e pachorrento veterinário Darbón.

Certo dia, Platero morre. O seu dono e as crianças da aldeia fazem-lhe um carinhoso funeral e sepultam-no à sombra da mais bela árvore do jardim. A meia dúzia final de poemas são lamentos de saudade do seu dono e das crianças que tinham brincado com Platero, que o tinham afagado e tinham passeado muitas vezes no seu dorso. Um desses poemas relata uma romagem de saudade dos amigos de Platero à sua campa, do qual não resisto a transcrever um excerto delicioso:

“Ao chegar, as crianças calaram os seus gritos. Quietos e sérios, os olhos brilhantes nos meus olhos, enchiam-me de perguntas ansiosas.

– Platero amigo! – disse eu à terra – se, como penso, estás agora no prado do céu e levas sobre o lombo peludo os anjos adolescentes, acaso me esqueceste? Platero, diz-me: ainda te lembras de mim?

E, como respondendo à minha pergunta, uma leve borboleta branca, que antes não vira, revoava insistentemente, como uma alma, de lírio em lírio…”

“Platero e Eu” é uma obra cheia de lirismo, de ternura, de inocência, de poesia, de amor pela natureza, recomendada pelo Plano Nacional de Leitura e uma leitura emocionante para todas as idades.

Há muito esgotada no mercado, está na altura de a Editora Livros do Brasil proceder ao seu relançamento. Fica a sugestão.

 

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