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Chamo-me Sebastião Barata e resido em Lisboa. Tenho 79 anos e leio desde muito novo. Uso a minha grande biblioteca para fazer vídeos e áudios que divulgo nas minhas redes sociais. Sigam-me!

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Comentário ao livro “Herzog” de Saul Bellow

Moses Herzog, professor universitário, está numa crise existencial, depois de se ter divorciado da sua segunda esposa. As suas faculdades de concentração durante as aulas começam a falhar. Dá por si ausente, a divagar por diversos e desencontrados temas, com ausências cada vez menos curtas e mais frequentes. É então que inicia uma escrita obsessiva de cartas endereçadas a familiares e amigos, mas também a políticos, cientistas, filósofos, uns vivos, outros já falecidos. Traz sempre consigo uma maleta cheia de papéis com apontamentos e missivas que nunca irão ser enviadas. Os que estão à sua volta começam a duvidar da sua sanidade mental. Com estas cartas, espera mostrar que não está louco. A quem pretende enganar: a si ou aos outros?

Como é habitual nos grandes autores, não é um livro fácil de ler, embora a sua leitura seja absorvente para um leitor habituado a escrita profunda. Exige concentração, para não perder o fio à história, embora esta não seja difícil de acompanhar, pois segue uma via linear no tempo, o que facilita a leitura. Pessoalmente, gostei muito de ler, mas não recomendo a quem prefere literatura ligeira, daquela que se lê de um fôlego, mas que se esquece tanto mais depressa, quanto mais agradável é de ler. Esta é uma obra de valor literário e não de simples divertimento. É uma história triste de um homem em conflito que deixa alguma amargura no leitor, mas também uma recordação. Faz pensar no que é a vida, nas consequências dos nossos atos, na reversibilidade dos sentimentos, na ténue linha que separa o ódio do amor, no que é, afinal, a felicidade.

Para ajudar o candidato a leitor, informo que o texto está formatado da seguinte forma: a narração está em caracteres normais; as cartas, anotações e pequenos apontamentos no caderno de notas de Herzog estão em itálico; os pensamentos de Herzog não expressos em palavras estão entre aspas. Para salientar o estado de perturbação de Herzog no período abrangido pelo livro, o autor baralha os três tipos de texto. Por exemplo, Herzog está a escrever uma carta, mas interrompe a meio de uma frase para fazer um comentário a propósito (que pode ser de algumas palavras ou de várias páginas), ou simplesmente pensar algo – geralmente irónico ou com intuito crítico – que, por vezes, consiste na citação de uma frase de um livro ou de um verso de um poema.

Publicado no Segredo dos Livros em 29 de setembro de 2014

 

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