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João Luís Barreto Guimarães foi distinguido com o Prémio Pessoa 2022, anunciou esta quinta-feira o júri, numa conferência de imprensa no Palácio de Seteais, em Sintra.

O Prémio Pessoa, que distingue uma personalidade da vida cultural e artística portuguesa, tem um valor de 60 mil euros. O Prémio Pessoa é uma iniciativa do semanário Expresso e da Caixa Geral de Depósitos, e visa “representar uma nova atitude, um novo gesto, no reconhecimento contemporâneo das intervenções culturais e científicas produzidas por portugueses”.

O júri deste ano foi composto por Ana Pinho, António Barreto, Clara Ferreira Alves, Diogo Lucena, Eduardo Souto de Moura, José Luís Porfírio, Maria Manuel Mota, Pedro Norton, Rui Magalhães Baião, Rui Vieira Nery e Viriato Soromenho-Marques, com Francisco Pinto Balsemão a presidir e Paulo Macedo enquanto vice-presidente.

João Luís Barreto Guimarães nasceu no Porto, em junho de 1967. Além de poeta e tradutor, é médico e professor de Introdução à Poesia no curso de Medicina do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, da Universidade do Porto.

Dos primeiros poemas até hoje, a obra de João Luís Barreto Guimarães evoluiu não apenas no sentido do seu reconhecimento em Portugal ou no estrangeiro — mas também no do apuramento de uma ironia raríssima entre nós, e da melancolia nascida das coisas simples e quotidianas, sem ocultar uma raiz profunda que vai buscar referências à cultura europeia nas suas diversas geografias, do Mediterrâneo à Mitteleuropa, das margens do Levante à contemplação do Atlântico. A sua obra lê a poesia dos contemporâneos (que, aliás, traduz) e o edifício da história do nosso século através das suas memórias, palavras, acidentes e personagens — das mais simples às mais raras, numa peregrinação que acompanha a construção de uma gramática própria.

Publicou o seu primeiro livro, Há Violinos na Tribo, em 1989 – tinha então 22 anos. Seguiram-se Rua Trinta e Um de Fevereiro (1991), Este Lado para Cima (1994), Lugares Comuns (2000), 3. Poesia 1987-1994 (2001), Rés-do-Chão (2003), Luz Última (2006) e A Parte pelo Todo (2009). A sua Poesia Reunida foi publicada em 2011, seguindo-se Você Está Aqui (2013, traduzido em Itália); Mediterrâneo (2016, Prémio Nacional de Poesia António Ramos Rosa, publicado em Es-panha, França, Itália, Polónia, Egito, Grécia, Sérvia e EUA, onde recebeu o Willow Run Poetry Book Award); Nómada (2018, Prémio Livro de Poesia do Ano Bertrand e Prémio Literário Armando da Silva Carvalho, publicado em Itália, Espanha, Chéquia e Egito); a antologia O Tempo Avança por Sílabas (2019, publicada na Croácia, Macedónia e Brasil); e Movimento (2020, Grande Prémio de Literatura DST, publicado na Macedónia). A edições italianas de Mediterrâneo e de Nómada foram finalistas do Premio Internazionale Camaiore em 2019 e 2020, respetivamente.

Em janeiro de 2023 será publicado pela Quetzal o seu novo título Aberto Todos os Dias.

João Luís Barreto Guimarães vive entre o rio, na Foz do Douro, no Porto, e as colinas de Venade, no coração do Alto Minho.

 

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