
Quando adquiri este livro, pensei que era um romance histórico. Mas, quando o comecei a ler, vi que era um livro de história e imaginei-o académico e chato. À medida que lia, ia descobrindo um livro maravilhoso.
Todos os personagens e situações são reais, mas parece uma trama de romance: uma rainha louca, um príncipe-regente medroso que foge de Napoleão, traficantes de escravos financiadores da corte, saloios de Rio de Janeiro com pretensões a gente fina, nobres falidos vivendo dos favores reais.
A família real foge de Lisboa precipitadamente, deixando Portugal, e o seu povo, abandonado pelo seu rei, a ser governado pela Inglaterra, em guerra com a França, mas com os intelectuais fervilhando com os ideais da Revolução Francesa.
No outro lado do mundo, está o Brasil, um vasto território, rico, mas pouco explorado, parte dele completamente desconhecido dos portugueses colonizadores; constroem-se fortunas de um dia para o outro; aventureiros exploram o território, tentando a sua sorte. É aqui que a corte se vem estabelecer e encontrar uma sociedade em tudo diferente daquela que deixou, seja a classe dirigente, os territórios, o clima ou a população.
A família real empobrecida, destituída de tudo, desenraizada e acompanhada de uma corte altamente gastadora, vai colocar problemas à Colónia, mas também tem de viver dos favores desta, o que vai ter consequências futuras.
É esta a trama desenvolvida, que tem continuação nos volumes seguintes da trilogia: “1822” e “1889”.
Um livro excelente, que recomendo vivamente.
Sinopse:
Nunca algo semelhante tinha acontecido na história de Portugal ou de qualquer outro país europeu. Em tempo de guerra, reis e rainhas tinham sido destronados ou obrigados a refugiar-se em territórios alheios, mas nenhum deles tinha ido tão longe, a ponto de cruzar um oceano para viver e reinar do outro lado do mundo. Embora os europeus dominassem colónias imensas em diversos continentes, até àquele momento nenhum rei tinha posto os pés nos seus territórios ultramarinos para uma simples visita – muito menos para ali morar e governar. Era, portanto, um acontecimento sem precedentes tanto para os portugueses, que se achavam na condição de órfãos da sua monarquia da noite para o dia, como para os brasileiros, habituados até então a serem tratados como uma simples colónia de Portugal.
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