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“A Dama das Camélias” de Alexandre Dumas Filho

“A Dama das Camélias”, publicado em 1848 com enorme sucesso, é um dos mais célebres romances do século XIX. Inspirado na experiência pessoal do autor, conta-nos a história de amor da belíssima plebeia Marguerite Gautier com um jovem da alta burguesia francesa, Armand Duval. Foi adaptado no ano seguinte para o teatro pelo próprio autor, mas foi proibido e só estreou em 1852. Serviu de base para “La Traviata” de Giuseppe Verdi.

A obra retrata o romance entre Marguerite Gautier, a mais cobiçada cortesã parisiense, e Armand Duval, um jovem estudante de direito, que pertence a uma família aristocrática. Marguerite apaixona-se por Armand e juntos desafiam as convenções sociais, vivendo um amor impossível. Mas Marguerite revela-se uma cortesã diferente das outras, pois caiu naquela vida como alternativa a um passado horrível e um amor verdadeiro pode reabilitá-la. Os amantes deixam o glamour de Paris e retiram-se para o campo nos arredores da cidade, onde vivem intensamente o seu mútuo amor e Marguerite melhora bastante da sua saúde debilitada.

Perante a falta de notícias do filho, que deixou de lhe escrever, o pai de Armand desloca-se a Paris, onde toma conhecimento do que se passa. Então toma uma decisão drástica: procura Marguerite a sós e faz-lhe ver que tem de deixar o seu filho, para não arruinar o bom nome da família. Marguerite, infeliz, aceita abandonar o seu amado, para não o prejudicar, dizendo-lhe que já não o ama e está comprometida com outro. Armand, desolado, regressa com o pai à província e Marguerite tenta esquecê-lo mergulhando de novo na vida cortesã de Paris. Mas a tuberculose de que sofria agrava-se muito e, quando Armand Duval descobre que a renúncia ao amor por parte de Marguerite Gautier resultou da pressão do seu pai, é já muito tarde e nada pode fazer por ela.

A inspiradora deste romance foi a jovem cortesã Marie Duplessis por quem Alexandre Dumas Filho se apaixonou na sua juventude. Marie Duplessis nasceu na província, mas mudou-se para Paris, onde se tornou numa deslumbrante cortesã que arrebatava os corações. Por questões de dinheiro, separaram-se, mas a sua morte com apenas 23 anos, afetou muito Alexandre Dumas e levou-o a construir Marguerite Gautier, a protagonista desta trágica história de amor.

Também o título “Dama das Camélias” se relaciona com Marie Duplessis, que gostava de se rodear de flores, mas recorria às camélias, sem aroma, para enfeitar a sua casa, pois se sentia mal com o perfume das rosas.

“A Dama das Camélias” é uma narrativa emotiva, marcada pelo lirismo romântico, muito ao estilo de Camilo Castelo Branco, que acabou por, simultaneamente, chocar e fascinar a sociedade da época.

“A Dama das Camélias” foi levada às telas do cinema doze vezes, entre 1906 e 1980, além de outras tantas adaptações para a televisão.

A narrativa fluida, a escrita na primeira pessoa e as descrições ricas ajudam a criar uma atmosfera envolvente e emocional, permitem ao leitor estabelecer uma ligação profunda com as personagens, de modo especial com Marguerite e Armand, e tornam o livro de muito fácil leitura. O romance convida à reflexão sobre o valor do amor e da compaixão, bem como sobre a necessidade de superar preconceitos, emocionando diferentes gerações ao longo do tempo.

Recomendo, pois, a leitura de “A Dama das Camélias” a todos os que apreciam histórias de amor intensas e reflexivas, enriquecidas por um contexto histórico e social marcante.

 

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