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Chamo-me Sebastião Barata e resido em Lisboa. Tenho 79 anos e leio desde muito novo. Uso a minha grande biblioteca para fazer vídeos e áudios que divulgo nas minhas redes sociais. Sigam-me!

“O Homem do Castelo Alto” (The Man in the High Castle, no original) é um romance escrito pelo norte-americano Philip K. Dick em 1962. É uma história distópica com elementos de ficção científica e romance ambientada no ano de 1962; nessa versão dos factos, as potências do Eixo derrotaram os Aliados na Segunda Guerra Mundial, ficando os Estados Unidos divididos entre a Alemanha nazi e o Império do Japão.

Nos Estados Unidos do mundo alternativo de “O Homem do Castelo Alto”, o presidente Franklin D. Roosevelt é assassinado em 1933; sucede-lhe o Vice-Presidente John Nance Garner, que posteriormente é substituído por John W. Bricker. Nenhum deles é capaz de superar a Grande Depressão e, perante a ameaça da Segunda Guerra Mundial, instalam no país uma política isolacionista que causa uma insuficiência militar, impedindo-o de ajudar o Reino Unido e a União Soviética que são derrotados pela Alemanha nazi.

Toda a Europa, incluindo a URSS, é ocupada pelos nazis e os japoneses destroem totalmente as tropas dos Estados Unidos no ataque a Pearl Harbor. O Japão invade e ocupa o Havai, a Austrália, a Nova Zelândia e o Sudoeste do Pacífico no início dos anos 1940 e, posteriormente, os Estados Unidos caem sob o controle do Eixo.

O Reich Alemão e o Império japonês tornam-se superpotências de que resulta uma Guerra Fria entre elas. Em 1948, a Costa Leste dos Estados Unidos está sob controle alemão, enquanto a Califórnia, Washington, Oregon, Nevada e outras partes pertencem aos japoneses. A região de Mountain States, o Centro-Oeste e grande parte do Sudoeste estão em permanente tensão pelo controle das duas superpotências.

Adolf Hitler fica incapacitado por sífilis, a chefia da Chancelaria do Partido Nazi cabe a Martin Bormann, que assume a liderança da Alemanha. Os nazis criam um império colonial e continuam a massacrar raças que consideram inferiores; assassinam judeus no estado fantoche dos Estados Unidos e noutras áreas controladas, e realizam um genocídio maciço na África.

A Alemanha desenvolve o seu programa de mísseis e, em 1962, as viagens intercontinentais são realizadas em foguetes comerciais; desenvolve também a exploração espacial, através do envio de foguetes para a Lua, Marte e Vénus. Mais tarde, o sistema espacial nazi “monta fábricas robotizadas em todo o sistema solar”. No entanto, devido aos investimentos em exploração espacial, a economia está à beira do colapso. Martin Bormann morre e outros nazis, como Joseph Goebbels e Reinhard Heydrich, lutam para se tornarem o novo chanceler do Reich.

O Império japonês não consegue acompanhar o Terceiro Reich no desenvolvimento tecnológico. Mas, lenta e subtilmente, como é típico dos orientais, o Império Japonês vai minando na sombra o poder do Terceiro Reich nos Estados Unidos. Aproveitando a natural superstição da pessoa humana, uma das armas usadas é o “I Ching” que os japoneses disseminaram através do Pacífico. Vários personagens, tanto japoneses quanto americanos, não tomam quaisquer decisões importantes sem consultar o “I Ching”.

Uma forma de Philip K. Dick ridicularizar os ocupantes é a mania do colecionismo. Robert Childan é proprietário da loja “Artesanato Artístico Americano”, que vende antiguidades americanas para colecionadores, principalmente japoneses. Childan obtém as peças na Wyndham-Matson Inc. e não acredita que esses itens sejam verdadeiros. Na verdade, a Wyndham-Matson Inc. é secretamente uma empresa especializada na reprodução de objetos americanos da época em que os Estados Unidos eram uma nação independente. Nobusuke Tagomi, representante do comércio japonês em São Francisco, é um dos melhores clientes de Robert Childan. Mr. Baynes, na verdade o Capitão Rudolf Wegener, da contrainteligência naval do reich, está disfarçado como um rico industrial sueco que viaja para se encontrar com o Sr. Tagomi e é surpreendido quando este o cumprimenta e lhe dá um “verdadeiro” Mickey Mouse, comprado na loja de Childan.

Nesse cenário, surge um romance escrito pelo lendário Hawthorne Abendsen, que se assina como o “Homem do Castelo Alto”; vive algures nas montanhas da zona neutra e receia constantemente pela sua vida, mas os nazis não o conseguem descobrir e eliminar. O livro descreve um mundo distópico em que a guerra foi ganha pelos aliados, toma conta da imaginação das pessoas e é um grito de revolta para todos aqueles que sonham derrubar os invasores. Mas poderá ser mais do que isso? Subtil e complexo, “O Homem do Castelo Alto” permanece como o melhor romance de história alternativa jamais escrito.

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