
“O Fantasma da Ópera” (no original em francês “Le Fantôme de l’Opéra”) é um romance de ficção gótica, escrito por Gaston Leroux. Foi publicado pela primeira vez em episódios em Le Gaulois de 23 de setembro de 1909 a 8 de janeiro de 1910 e em volume em abril do mesmo ano. O romance é parcialmente inspirado em factos históricos da Ópera de Paris durante o século XIX e num conto apócrifo relativo à utilização do esqueleto de um músico famoso em performances de peças no teatro.
O enredo é resumidamente o seguinte: A cantora de ópera Christine Daaé triunfa na noite de gala realizada na Ópera de Paris para celebrar a aposentação dos seus gestores. Raoul, visconde de Chagny, amigo de infância de Christine, ouve-a cantar e revive a sua paixão de juventude por ela. Existem rumores de que a Ópera está assombrada por um fantasma, coisa de que os velhos gestores avisam os novos, mas estes não acreditam e ainda gozam com o caso. Algum tempo depois, a Ópera de Paris encena “Fausto”, com a prima donna Carlotta no papel principal, contra a vontade do fantasma, que queria que o papel fosse para Christine. Os gestores ignoram as ameaças feitas através de uma carta que aparece no seu gabinete assinada por “F. da Ópera”. Durante a representação, Carlotta perde a voz e o grande lustre cai sobre a plateia, provocando o caos.
Como represália, Christine desaparece misteriosamente, perante os olhos de Raoul, através do espelho do seu camarim. Fora raptada pelo fantasma e levada para a morada deste nas profundezas da Ópera onde se identifica como Erik e declara o seu amor por ela. Quando Christine lhe arranca a máscara no meio de uma discussão, ficam ambos horrorizados perante o aspeto monstruoso de Erik. Quinze dias depois, Christine consegue que este a liberte, na condição de que use o anel que lhe dá e lhe seja fiel.
Christine encontra-se com Raoul, que fica feliz de a ver de volta, e conta o que lhe tinha acontecido. Passeiam no interior do teatro da Ópera e, no telhado, declaram o seu amor mútuo. Raoul propõe levá-la para onde Erik nunca a possa encontrar e pede-lhe para fugirem imediatamente. Desconhecendo que estão a ser observados pelo fantasma, a bondosa Christine recusa ir embora sem cantar para Erik pela última vez, e combinam fugir na noite seguinte, depois do espetáculo, onde faz o papel de Margarida, a amada de Fausto, em substituição de Carlotta que se encontra doente desde o escândalo.
Na noite seguinte, Erik sequestra Christine em plena representação de “Fausto” e leva-a para a sua cave. Erik quer casar com ela imediatamente e afirma que, se recusar, vai detonar explosivos e destruir a casa da ópera. Raoul, ajudado pelo Persa, um velho conhecido de Erik, conseguem chegar ao local, mas ficam aprisionados na câmara de tortura de Erik. Ao dar-se conta da situação, Christine concorda em se casar com Erik, para tentar salvar a vida de Raoul. Christine quer mostrar a Erik a sua boa intenção dando-lhe um beijo na testa e, quando levanta a máscara, este emociona-se e revela que nunca recebeu um beijo (nem mesmo da sua própria mãe), nem beijou ninguém e nunca se sentiu tão perto de outro ser humano. Christine emociona-se também e choram juntos. Erik fica tão feliz que liberta o Persa e Raoul e permite que levem Christine, mas com duas condições: que Christine o vá visitar no dia da sua morte, para lhe devolver o anel de ouro; que o Persa prometa publicar no jornal a notícia da sua morte, porque vai morrer em breve “de amor”. De facto, algum tempo depois, um jornal local recebe e publica um anúncio simples: “Erik está morto”. Christine regressa ao covil de Erik e enterra-o com o anel de ouro, num local onde nunca vá ser encontrado, conforme ele tinha pedido.
A obra destaca-se pela atmosfera intensa e pelo modo como cria suspense em torno da personagem do fantasma que, afinal, é um homem deformado com aspeto monstruoso chamado Erik. A sua relação com Christine Daaé revela temas como a obsessão, a solidão, o amor não correspondido e o desejo de reconhecimento, tão próprios do ser humano. A narrativa é envolvente, marcada por segredos, passagens ocultas e momentos de grande tensão.
Embora o estilo possa parecer por vezes melodramático, o romance capta o interesse do leitor pela originalidade do enredo, pelo ritmo intenso e pela força simbólica das suas personagens. No geral, “O Fantasma da Ópera” é uma leitura cativante e marcante, que recomendo a quem aprecia histórias de mistério, paixão e tragédia.
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