Grandes autores Grandes livros

Aqui encontra links para vídeos e áudios sobre grandes autores e as suas obras, recensões de livros, textos literários de minha autoria e notícias do mundo literário

Chamo-me Sebastião Barata e resido em Lisboa. Tenho 79 anos e leio desde muito novo. Uso a minha grande biblioteca para fazer vídeos e áudios que divulgo nas minhas redes sociais. Sigam-me!

  • “Dom Camilo e o seu Pequeno Mundo” escrito por Giovannino Guareschi, é um retrato satírico da Itália rural do após Segunda Guerra Mundial. É uma obra que encanta pela simplicidade e profundidade com que aborda as tensões políticas e sociais da Itália rural do pós-guerra. Os acontecimentos narrados passam-se entre dezembro de 1946 e dezembro de 1947, o período de indefinição a seguir à guerra antes das eleições de 1948 na Itália.

    O autor apresenta-nos uma pequena aldeia na zona do rio Pó entre este e os montes Apeninos, onde as divergências entre o pároco, o padre Dom Camilo, e o dirigente comunista Peppone, o presidente da Câmara, servem de mote para uma sátira inteligente e bem-humorada sobre convivências e interesses opostos. Embora inimigos políticos capazes de se sovarem mutuamente, eram pessoalmente grandes amigos, que não hesitavam em se avisarem mutuamente quando um terceiro se preparava para prejudicar o outro.

    Além destes protagonistas, há um terceiro personagem que tem um papel fundamental: a imagem de Jesus crucificado que está sobre o altar na Igreja, com a qual Dom Camilo dialoga em todos os contos e que exerce um papel de moderador das fúrias do padre, desempenhando, por isso, um papel que, na minha opinião, podemos considerar de terceiro protagonista da obra.

    Guareschi constrói personagens memoráveis, dotados de humanidade e contradições, que ultrapassam a caricatura e se tornam símbolos daquela época. Dom Camilo, com o seu temperamento forte e o coração generoso, revela-se tão humano como o seu rival Peppone, e juntos protagonizam episódios que oscilam entre o conflito e a reconciliação, sempre pautados por uma ética de respeito mútuo e sentido de comunidade.

    O livro adota a forma do conto, em que cada capítulo constitui uma pequena história individual. Aliás, cada uma destas histórias foi publicada semanalmente na revista Candido, da qual Guareshi era editor, antes de serem passadas a livro.

    A linguagem é acessível, repleta de ironia subtil e de expressões típicas que conferem autenticidade ao ambiente retratado. O humor é utilizado como ferramenta para expor as fragilidades e as virtudes tanto do clero como dos comunistas, sem nunca perder de vista o valor da amizade e da solidariedade.

    Em resumo, “Dom Camilo e o seu Pequeno Mundo” é uma leitura indispensável para quem aprecia romances que, sob uma aparência leve, exploram questões profundas da sociedade e da natureza humana. A obra permanece atual, pois convida à reflexão sobre o diálogo e a tolerância que pode haver entre aqueles que têm posições diferentes, tanto na política como na vida social ou familiar, mostrando que, mesmo em tempos de discórdia, o entendimento é possível, desde que cada um ouça o outro e esteja disponível para tentar a aproximação.

  • “O Americano Tranquilo” é um dos mais emblemáticos romances de Graham Greene, um escritor inglês considerado por muitos críticos como um dos principais romancistas do século XX. Greene viajou ao longo da sua vida para aquilo a que chamava os lugares selvagens e remotos do mundo, entre os quais os cenários das guerras da Indochina, nos quais se passa este romance.

    A história transporta-nos para o Vietname do início dos anos 1950, cenário de tensões políticas, coloniais e pessoais. A narrativa desenrola-se através do olhar de Thomas Fowler, um jornalista britânico cético e experiente, que acompanhou as guerras na zona nos anos anteriores. Fowler vê-se envolvido num triângulo amoroso e num confronto de ideais com Alden Pyle, um misterioso americano recém-chegado ao país, que se apaixona pela jovem vietnamita com que aquele vive.

    Greene construiu habilmente um ambiente carregado de suspense e de ambiguidade moral, onde as motivações dos protagonistas se entrelaçam com o contexto histórico da guerra da Indochina. O intervencionismo americano, que desejava ganhar preponderância na zona, é-nos apresentada através da ingenuidade de Pyle, contrapondo-se ao desencanto e ao pragmatismo de Fowler, que vê os povos locais a tentar destruir o colonialismo francês; no meio do desencontro entre estas duas personagens centrais, está a personagem de Phuong, a jovem vietnamita, que, embora menos desenvolvida, simboliza a complexidade e a vulnerabilidade do Vietname perante os interesses das potências estrangeiras em confronto: especialmente os franceses, ingleses e americanos.

    A escrita de Greene é precisa, cínica e, por vezes, profundamente poética, oferecendo ao leitor uma reflexão sobre as consequências imprevistas das boas intenções e o preço a pagar pela neutralidade.

    “O Americano Tranquilo” continua atual, desafiando-nos a questionar a ética das intervenções internacionais e a natureza da responsabilidade individual em tempos de conflito.

    Confesso que não foi um dos livros que mais prazer me deram de ler nos últimos tempos, mas nem por isso o deixo de o aconselhar, pela sua atualidade, nesta altura em que as grandes potências tentam alargar as suas zonas de influência no mundo, à custa de povos menos capazes de se defenderem.

  • O meu mais recente programa de rádio da série “Grandes autores Grandes livros” foi sobre Gustave Flaubert, um escritor francês nascido em Rouen em 1821 e falecido em Croisset em 1880, que marcou a literatura francesa pela profundidade das suas análises psicológicas, pelo seu sentido da realidade, pela sua lucidez sobre o comportamento social e pela força do seu estilo, em grandes romances. Os mais conhecidos são “Madame Bovary”, “A Educação Sentimental” e “Salammbô”.

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  • Esopo foi um fabulista grego, que teria vivido na Grécia antiga entre o século VII e o VI a. C. Considerado por muitos uma figura lendária, passou para a história como o primeiro criador de fábulas, pequenas histórias em que os animais falam e satirizam os humanos.

    Jean de La Fontaine foi um poeta e fabulista francês que nasceu em Château-Thierry em 1621 e faleceu em Paris 1695. Algumas das fábulas mais conhecidas são “A Lebre e a Tartaruga”, “O Leão e o Rato”, “O Lobo e o Cordeiro”, “A Cigarra e a Formiga” e “A Raposa e o Corvo”.

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  • “Memorial de Maria Moura”, publicado em 1992, é uma das obras mais emblemáticas de Rachel de Queiroz, escritora consagrada da literatura brasileira. O romance narra a trajetória de Maria Moura, uma mulher forte e determinada, que desafia as convenções sociais do sertão nordestino ao assumir o comando de terras e homens, numa época em que o patriarcado era dominante.

    A trama narra a história épica da personagem título, que, de sinhazinha jovem e órfã, passa a cangaceira e chefe de bando, ganhando fama, riqueza e poder ao longo dos anos seguintes. Paralelamente a esta história principal, o romance narra tramas paralelas que se vão interligando: a história de crime e expiação do padre José Maria que foi seduzido por uma mulher jovem e bonita, que engravida, tornando-se um foragido depois de matar o marido desta num ato de autodefesa; e o amor proibido entre Marialva, uma jovem sonhadora, prima de Maria Moura que vivia em casa da sua cunhada Firma que a maltratava, e Valentim, um atirador de facas membro de uma família circense ambulante, que fogem, casam e, depois de muita deambulação e sofrimento, acabam a viver no rancho da prima, sendo pais da criança que virá a ser o herdeiro de Maria Moura; além destes, há outros personagens com histórias bem construídas, que ficam igualmente na mente do leitor.

    A narrativa é construída com uma linguagem rica e envolvente, alternando momentos de introspeção com cenas de ação intensa. Um pormenor importante é a linguagem polifónica, com vários narradores, cada um dos quais vai contanto a sua história, até que estas se interligam e fundem com a história de Maria Moura.

    Rachel de Queiroz consegue, com mestria, criar uma protagonista complexa, cuja luta pela autonomia e pela sobrevivência reflete questões universais sobre poder, identidade e resistência. O ambiente árido do sertão serve de pano de fundo para as tensões entre tradição e mudança, e o romance destaca-se pela profundidade psicológica dos personagens e pela crítica social implícita. O estilo da autora, marcado por um realismo poético e uma sensibilidade aguda, torna “Memorial de Maria Moura” uma leitura indispensável para quem deseja compreender as nuances da condição feminina e da cultura nordestina.

    Em suma, o livro é uma celebração da força e da coragem de Maria Moura, ao mesmo tempo que evidencia o talento de Rachel de Queiroz para retratar o Brasil profundo. A obra permanece atual, inspirando debates sobre género, poder e liberdade, e consolidando-se como um marco na literatura brasileira.

  • O meu mais recente programa de rádio da série “Grandes autores Grandes livros” foi sobre a Condessa de Ségur, uma escritora francesa de origem russa, nascida em 1799 e falecida em 1874, muito conhecida desde o século XIX como autora de obras-primas da literatura infantojuvenil, como “As Meninas Exemplares” ou “os Desastres de Sofia”.

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  • Umberto Eco foi um escritor, filósofo, semiólogo, linguista e bibliófilo italiano, nascido em 1932 em Alessandria (Piemonte) e falecido em 2016, em Milão. Ficou célebre a sua teoria da “obra aberta” que sustenta a ideia de que os textos são máquinas preguiçosas que necessitam a todo o momento da cooperação dos leitores. As suas obras mais conhecidas são os romances “O Nome da Rosa” e “O Pêndulo de Foucault”.

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  • “O Triunfo da Morte”, publicado em 1894, é uma das obras mais marcantes de Gabriele D’Annunzio, autor italiano do final do século XIX e princípio do século XX, conhecido pelo seu estilo exuberante e pela exploração profunda das emoções humanas, tanto pessoalmente, como escritor.

    Em “O Triunfo da Morte”, a grande obra-prima de D’Annunzio, conseguem evidenciar-se laivos da filosofia de Nietzsche na escrita do autor, tendo esta influência ultrapassado a literatura e evidenciando-se talvez ainda mais na sua vida excêntrica.

    O romance acompanha Giorgio Aurispa, um intelectual atormentado por questões existenciais, problemas familiares e pelo peso de uma paixão obsessiva por Ippolita, a sua amante. D’Annunzio constrói uma narrativa densa, repleta de simbolismo, que mergulha o leitor num ambiente opressivo e sombrio, refletindo as inquietações da alma do protagonista, dominada por contradições, por traumas e pelos condicionamentos sociais.

    D’Annunzio utiliza uma linguagem rica e elaborada, que revela tanto a decadência como o brilho momentâneo da vida. Ao longo do romance, temas como a morte, o desespero e a incapacidade de encontrar um sentido para a existência são tratados com intensidade, evocando o pessimismo típico do decadentismo literário da sua época. Os conflitos internos de Giorgio, o protagonista, agravados pela relação com a sua família e a relação com Ippolita, culminam num desfecho trágico, que sintetiza o triunfo da morte sobre a esperança e sobre o amor. Giorgio, ao longo do romance, acaba por considerar a vida como falsa, errada, as relações com as pessoas como degradantes e limitativas das ânsias da alma, que só se sentirá realizada libertando-se de tudo isso.

    Esta obra destaca-se pela sua capacidade de criar uma atmosfera psicológica complexa, que desafia o leitor a refletir sobre os limites do desejo, da loucura e da própria condição humana. “O Triunfo da Morte” é um romance exigente, cuja exigência resulta da profundidade das ideias expostas e do negativismo das personagens, não da escrita, que é corrida, atrativa e agravável de seguir. Apesar desta exigência, a sua leitura é profundamente recompensadora, ideal para aqueles que apreciam uma literatura introspetiva e intensa.

  • O meu mais recente programa de rádio da série “Grandes autores Grandes livros” foi sobre Edgar Allan Poe, um escritor norte-americano nascido em Boston em 1809 e falecido em Baltimore em 1849, conhecido pelos seus contos de mistério e do macabro, que é considerado o inventor do género policial e um dos autores que mais contribuíram para o género de ficção científica.

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  • O meu mais recente programa de rádio da série “Grandes autores Grandes livros” foi sobre Nikolai Gógol, um proeminente escritor do Império Russo nascido em Sorochintsy em 1809 e falecido em Moscovo em 1852. A sua cidade natal pertence atualmente à Ucrânia, pelo que tanto a Rússia como a Ucrânia reivindicam a sua nacionalidade. A sua obra prima é o romance “Almas Mortas”.

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