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Chamo-me Sebastião Barata e resido em Lisboa. Tenho 79 anos e leio desde muito novo. Uso a minha grande biblioteca para fazer vídeos e áudios que divulgo nas minhas redes sociais. Sigam-me!
José Mauro de Vasconcelos foi um escritor brasileiro nascido no Rio de Janeiro em 1920 e falecido em São Paulo em 1984. A sua obra mais conhecida é o romance juvenil “O Meu Pé de Laranja Lima”.
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“As velas ardem até ao fim” é, sem dúvida, o livro mais aclamado de Sándor Márai. Este título é a tradução do original, mas no Brasil e noutros países foi lançado com o título “As Brasas”, que é a tradução do título da primeira edição francesa.
O romance fala de amizade, paixão e honra. Trata do reencontro entre dois amigos, Henrik e Konrad, que não se veem há 41 anos. Konrad desapareceu aos 22 anos. Existe um segredo que envolve o dia do seu desaparecimento, segredo que mudou a vida dos dois, e sobre o qual agora, aos 73 anos de idade, irão finalmente poder falar. Atravessado entre eles, está o fantasma de Krisztina, a mulher de Henrik, falecida sete anos depois do desaparecimento de Konrad.
O livro está dividido em duas partes, que podemos identificar como a espera e o reencontro. Enquanto espera, Henrik relembra como foi a sua vida até ao momento em que Konrad o deixou inesperadamente e sem aviso, depois de uma manhã de caça na sua propriedade. Amigos inseparáveis desde a escola e agora camaradas militares, o que o pode ter levado a tomar tal atitude?
A segunda parte da obra passa-se no mesmo cenário onde tudo decorreu antes da separação: a mansão de Henrik, um pequeno castelo de caça na Hungria, em cujos salões decorados ao estilo francês, se divertiam, ao som da música de Chopin, mas agora está quase vazio e silencioso. Konrad chega depois de quatro décadas passadas no Extremo Oriente e encontra Henrik, que permaneceu todo este tempo no seu castelo. Ambos esperaram toda a vida por este momento. O reencontro dura cerca de 12 horas. Henrik abre o coração num longo monólogo, Konrad pouco fala. Conseguirão que o passado fique esclarecido? Do desenlace depende o futuro de ambos.
O passado destes dois amigos fraturado pela quebra da confiança entre eles, é um movimento análogo à condição política na Europa nos anos 1940. A destruição provocada pela guerra, tal como a velhice dos personagens, dá um tom de irreversibilidade do tempo histórico e das condições políticas. Assim, “As Velas Ardem até ao Fim” aciona modos de vivenciar subjetivamente o tempo, articulando emoções ligadas ao passado e ao futuro, como uma forma de nostalgia aberta à esperança.
Gostei muito da forma como Sándor Márai desenrola a trama do romance, através de pequenas revelações que vão surgindo página a página, até à revelação final. É de facto uma obra maravilhosa, que bem merece a fama que alcançou nas últimas décadas, depois de muitos anos quase votado ao esquecimento.
Aldous Huxley foi um escritor inglês nascido em Godalming, na Inglaterra, em 1894 e falecido em Los Angeles, nos Estados Unidos da América, em 1963, mais conhecido pelo seu romance distópico “Admirável Mundo Novo”.
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Augusto Gil foi um poeta português nascido na freguesia de Lordelo do Ouro na cidade do Porto em 1870 e falecido em Lisboa em 1929. O seu poema mais conhecido é a “Balada da Neve” que faz parte da coletânea “Luar de Janeiro”, considerada a sua obra-prima.
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“Les Fleurs du Mal” (As Flores do Mal) é uma coletânea de poemas de Charles Baudelaire publicada em 1857, que foi republicada de 1861 a 1868 em três versões sucessivas, enriquecidas com novos poemas. Considerada uma obra maldita, a coletânea foi esquecida e a sua reabilitação só ocorreu quase um século depois, em maio de 1949. Hoje, “As Flores do Mal” é considerada uma das obras mais importantes da poesia moderna.
Quando saiu a 1ª edição, a coletânea foi apreendida sob a acusação de “insulto à moral pública” e “ofender a moral religiosa”, e Baudelaire condenado a uma pesada multa. Seis poemas foram proibidos e não constaram nas edições seguintes. A edição que li, uma tradução premiada de Fernando Pinto do Amaral e publicada pela Assírio & Alvim, traz em anexo estes seis poemas.
A obra expressa uma nova estética em que a arte poética contrapõe uma visão trivial dos sentimentos humanos à mais inefável beleza. Exerceu uma influência considerável sobre poetas simbolistas posteriores, como Paul Verlaine, Stéphane Mallarmé e Louis Aragon.
Os poemas não foram reunidos ao acaso, mas estão articulados de forma metódica e segundo um desenho preciso. Na edição consolidada de 1861, Baudelaire incluiu 126 poemas, além de um prólogo excluído da numeração dos poemas e está dividida em seis partes: “Spleen e Ideal” (poemas 1 a 85), “Quadros Parisienses” (86 a 103), “O Vinho” (104 a 108), “Flores do Mal” (109 a 117), “Revolta” (118 a 120) e “A Morte” (121 a 126).
“Spleen e Ideal” apresenta uma avaliação intransigente do mundo real: uma fonte de aflição e de mal-estar (spleen – tédio), que em Baudelaire provoca um retraimento, mas também o desejo de reconstruir mentalmente um universo que lhe pareça viável. As três secções seguintes são tentativas de alcançar este ideal. O poeta afoga-se na multidão anónima da Paris onde sempre viveu (“Quadros parisienses”), aventura-se nos paraísos artificiais da bebida e das drogas (“O Vinho”) e procura prazeres carnais que se revelam fonte de encantamento, seguida de remorso (“Flores do Mal”). Este triplo fracasso leva à rejeição de uma existência decididamente vã (“Revolta”), que leva ao aniquilamento (“A Morte”).
Os temas principais são: o nojo pelo mundo real, sujeito ao pecado e ao tédio que aquele inspira; o masoquismo – prazer e sofrimento aparecem, na maioria das vezes, intrinsecamente ligados; a obsessão pela morte, explícita ou velada numa grande parte dos poemas. São frequentes outros temas, geralmente concretizadores daqueles temas principais: o pôr-do-sol, a noite, a lua, o sono, o sangue, o abismo, a fé, os cheiros, o mar, a água, ou o exotismo dos lugares remotos, entre outros.
Também a imagem da Mulher pontua toda a coletânea, seja como cúmplice, maternal, amante, vítima, seja como cruel, tirana, perversa, diabólica.
Baudelaire era apaixonado pela pintura. Como “pintor” de ideias, inventa imagens de grande força expressiva que deixam uma impressão duradoura na mente do leitor. Por vezes, a adição de um simples adjetivo é suficiente para transfigurar uma expressão comum numa coisa bela.
Baudelaire gostava de formatos curtos, favoráveis à condensação do seu pensamento. O facto de ter utilizado o soneto em mais de quatro em cada dez poemas realça essa caraterística. A principal exceção é o poema “A Viagem” que tem 36 estrofes divididas em 8 secções.
Quanto à métrica, sete em cada dez poemas são alexandrinos (12 sílabas métricas), um formato suficientemente grande para desenvolver os seus pensamentos. Mas há também muitos octossílabos (8 sílabas métricas), por vezes os dois formatos no mesmo poema.
Em resumo: “As Flores do Mal”, a obra-prima de Charles Baudelaire, é um marco fundamental da poesia moderna. Explora temas como o amor, a morte, a decadência, o tédio e o fascínio pelo proibido, revelando a dualidade da condição humana entre a busca pelo sublime e o mergulho no abismo. Os versos, carregados de musicalidade e imagens perturbadoras, onde o belo e o sombrio coexistem, desafiavam as convenções morais e literárias da época. Baudelaire, com uma linguagem refinada e inovadora, rompeu com os padrões românticos e inaugurou uma sensibilidade estética que influenciaria gerações de poetas simbolistas. A leitura de “As Flores do Mal” continua a ser uma experiência intensa e inquietante. Uma obra indispensável para quem deseja compreender o poder transformador da poesia e a profundidade do pensamento de Baudelaire.
O meu mais recente programa de rádio da série “Grandes autores Grandes livros” foi sobre Erich Maria Remarque, um escritor nascido em Osnabrück, na Alemanha, em 1898 e falecido em Locarno, na Suíça, em 1970. A sua grande obra-prima é o romance “A Oeste Nada de Novo”.
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O meu mais recente programa de rádio da série “Grandes autores Grandes livros” foi sobre Mark Twain, um escritor e humorista norte-americano, cujo nome verdadeiro era Samuel Langhorne Clemens, nascido em 1835, em Florida, no Missouri, e falecido em Redding, no Connecticut, em 1910. Os seus romances mais conhecidos são “As aventuras de Tom Sawyer” e a sua sequela “As Aventuras de Huckleberry Finn”.
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“O Judeu” é uma peça de teatro em 3 atos escrita por Bernardo Santareno e publicada em 1966. Para perceber bem a obra, nada como fazer uma breve resenha sobre a vida daquele que está na base do título, António José da Silva, um autor de comédias e óperas do século XVIII, mais conhecido como “O Judeu”.faz
António José da Silva nasceu no Rio de Janeiro em 1705, filho de cristãos-novos, designação que se atribuía aos judeus convertidos ao catolicismo; foi batizado, mas foi também circuncidado secretamente pela família. Em 1712, houve no Brasil uma grande perseguição aos cristãos-novos; a sua mãe, Lourença Coutinho, foi acusada de judaísmo e deportada para Portugal, onde foi processada pela Inquisição. O pai de António, advogado e também poeta, decidiu partir para Portugal, para estar próximo da sua mulher, levando o jovem António consigo, e a família instalou-se em Lisboa. Lourença abjurou no auto de fé e foi libertada.
Em 1725, o jovem António foi estudar direito na Universidade de Coimbra, onde se começou a interessar pela dramaturgia. Escreveu uma sátira, que serviu de pretexto às autoridades para o prenderem em 1926, juntamente com a sua mãe, e acusados de práticas judaizantes. Foi torturado pela Inquisição, tendo ficado parcialmente inválido durante algumas semanas, o que o impediu de assinar a sua “reconciliação” com a Igreja Católica, acabando por fazê-lo no grande auto-de-fé de 23 de outubro. Depois de ter abjurado, foi posto em liberdade, mas com a condição de usar o “sambenito” amarelo, o vestuário dos penitentes reconciliados, durante seis meses. Voltou para Coimbra, onde os colegas o gozavam por andar assim vestido. A sua mãe só foi libertada três anos mais tarde, em outubro de 1729, depois de ter sido torturada e figurado como penitente noutro auto-da-fé.
Depois de concluir o curso em 1728, António José exerceu advocacia em Lisboa durante três anos. Casou com Leonor Maria de Carvalho, sua prima e também judia, e retomou a atividade literária. As suas comédias e óperas eram representadas no teatro do Bairro Alto, sendo muito apreciadas, e rapidamente se tornou no maior dramaturgo português da sua época. O povo aplaudia entusiasticamente as suas piadas, gritando carinhosamente “judeu, judeu, judeu!”, apelido que lhe ficou colado para sempre.
Mas as sátiras em que criticava num modo burlesco o ridículo da sociedade portuguesa incomodavam a nobreza e o clero, acabando por ser denunciado ao Santo Ofício como suspeito de judaísmo. Foi preso de novo em 1737, em Lisboa, juntamente com a esposa, Leonor, que se encontrava grávida, a mãe que era presa pela terceira vez, e outros familiares. Apesar dos pedidos de clemência de muita gente importante, morreu no dia 19 de outubro de 1739 na fogueira, às mãos da Inquisição, num auto de fé.
A vida de António José da Silva (o Judeu), especialmente o processo de que foi vítima e o levou à morte, constitui a espinha dorsal desta peça de Bernardo Santareno.
Naquele tempo, enquanto na Europa se desenvolviam o Iluminismo e o racionalismo, em Portugal faziam-se autos de fé que não eram mais do que o emblema da triste ignorância e do consequente fanatismo do povo, que assistia aos autos de fé como a um espetáculo. A peça começa com um desses autos, mostrando como era feita a encenação festiva e espetacular, nomeadamente através do sermão manipulatório do padre pregador, que ocupa a maior parte do 1º ato.
Este Portugal obscurantista onde reinava a intolerância, a manipulação e a perseguição é invetivado por uma personagem com a função de narrador e comentador – o Cavaleiro de Oliveira – que faz a ligação entre cenas ao longo dos três atos da peça. O Cavaleiro de Oliveira foi um escritor português de espírito jocoso e sarcástico que se refugiou em Londres para fugir à Inquisição. Esta personagem estabelece também a ligação entre o palco e o público, chegando a dirigir-se diretamente aos espetadores do século XX, que ele espera livres de perseguições e dignificados por uma vida melhor e mais esclarecida. Claro que é uma forma irónica de falar, numa altura em que Portugal vivia a ditadura do Estado Novo e a PIDE era omnipresente e perseguia os dissidentes, como Bernardo Santareno. Esta sinistra polícia está representada na peça pela personagem do ‘Estudante Pálido’, a sombra constante de António José, que se vê subir na hierarquia do Santo Ofício à medida que os anos passam.
Na linha de Brecht, o processo de escrita de Bernardo Santareno – assim como os jogos de luz e sombra, e o recurso a gravações e a projeções – destina-se a abanar as consciências do público, que é chamado a intervir na ação e a notar a sinistra proximidade entre os valores e as crenças do auditório dos autos de fé e os da época em que a peça foi escrita. Santareno faz um paralelismo tão perfeito entre o massacre e a perseguição ao “Judeu” com o que se passava em Portugal sob a ditadura de Salazar, que basta imaginarmos uma troca de cenário para sentirmos os métodos da Inquisição na peça a serem praticados pelos agentes da PIDE.
No final da peça, depois da imolação de António José pelo fogo, antes de abandonar o palco, Cavaleiro de Oliveira grita «Iluminai o Povo de Portugal!», querendo com isso salientar que só um povo esclarecido será capaz de combater e negar as atrocidades presenciadas no palco. É esta preocupação didática que a peça procura cumprir. E é por isso que a considero sempre atual e recomendo a sua leitura atenta, pela denúncia e pelo alerta que deixa às pessoas do nosso e de todos os tempos para os perigos das ditaduras, venham elas de onde vierem e tenham a cor que tiverem.
O meu mais recente programa de rádio da série “Grandes autores Grandes livros” foi sobre Alexandre Herculano, um poeta, romancista, historiador e ensaísta português, nascido em 1810 e falecido em 1877. Grande nome da era do romantismo, ficou conhecido pela sua “História de Portugal” e pelos romances históricos “O Monge de Cister” e “O Bobo”.
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Miguel de Cervantes foi um romancista, dramaturgo e poeta castelhano nascido em 1547 e falecido em Madrid em 1616. A sua obra-prima, “Dom Quixote de La Mancha”, muitas vezes considerada o primeiro romance moderno, é um clássico da literatura ocidental e é regularmente considerada um dos melhores romances jamais escritos.
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