Aqui encontra links para vídeos e áudios sobre grandes autores e as suas obras, recensões de livros, textos literários de minha autoria e notícias do mundo literário
Chamo-me Sebastião Barata e resido em Lisboa. Tenho 79 anos e leio desde muito novo. Uso a minha grande biblioteca para fazer vídeos e áudios que divulgo nas minhas redes sociais. Sigam-me!
Federico García Lorca, um poeta e dramaturgo espanhol, conhecido também como músico e artista, nascido em Fuente Vaqueros, província de Granada, em 1898 e falecido em Granada em 1936, que foi o poeta de maior influência e popularidade da literatura espanhola do século XX e é considerado uma sumidade do teatro espanhol do século XX. A sua peça mais conhecida é “A Casa de Bernarda Alba”.
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Entre 21 e 28 de fevereiro, a Póvoa de Varzim transforma-se numa verdadeira capital da literatura com a 27.ª edição do Correntes d’Escritas, um dos mais relevantes encontros literários do país. Estará representada a generalidade das editoras nacionais, a exemplo dos anos anteriores.
Além das sessões no Cine-Teatro Garrett, o festival estende-se à cidade, com iniciativas em escolas, mercados e outros espaços públicos, aproximando a literatura da vida quotidiana e da comunidade.
Organizado pela Câmara Municipal da Póvoa de Varzim, o Correntes d’Escritas presta homenagem nesta edição a Álvaro Laborinho Lúcio, que faleceu em 2025. A sessão de encerramento, a 28 de fevereiro, marcará ainda a entrega dos prémios literários Luis Sepúlveda, Fundação Dr. Luís Rainha/Correntes d’Escritas e Correntes d’Escritas Papelaria Locus.
O meu mais recente programa de rádio da série “Grandes autores Grandes livros” foi sobre João Guimarães Rosa, um poeta, diplomata, novelista, romancista, contista e médico nascido em Cordisburgo, Minas Gerais, no Brasil, em 1908 e falecido no Rio de Janeiro, em 1967, considerado por muitos o maior escritor brasileiro do século XX e um dos maiores de todos os tempos. A sua obra prima é “Grande Sertão: Veredas”.
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“O Físico Prodigioso”, de Jorge de Sena, é uma obra singular que desafia as convenções do romance histórico português ao misturar elementos fantásticos, filosóficos e mitológicos. Novela publicada originalmente em 1977, foi a única das duas obras de ficção média e longa publicada em vida do autor. Para além dela, só foram publicadas em vida as coletâneas de contos “Andanças do Demónio” (1960), “Novas Andanças do Demónio” (1966) e “Os Grão-Capitães” (1976).
O livro transporta o leitor para a época medieval, acompanhando a trajetória de um médico dotado de poderes extraordinários, cuja existência oscila entre o real e o sobrenatural. O protagonista é um cavaleiro que aparece junto ao castelo cujo senhor morreu nas cruzadas na Terra Santa e onde a sua viúva está à beira da morte. Os dois médicos que a tratam já perderam toda a esperança de a salvar. O cavaleiro utiliza os seus poderes e ela não só se cura, como adquire a sua juventude há muito perdida. Os médicos e o capelão desconfiam da origem dos seus poderes, mas toda a corte fica maravilhada e o “físico prodigioso” é aclamado e torna-se amante da dona do castelo que salvou. Uma coisa, no entanto, ele estranha: porque naquele castelo só há mulheres? O que aconteceu aos homens? E os prodígios do “físico” continuam a manifestar-se até que a Inquisição aparece e tudo vai acabar mal, depois de um longo e ridículo processo, típico daquela Santa Instituição…
Sena utiliza uma linguagem rica e irónica, explorando temas como o poder, a ciência, a fé e a condição humana, num contexto onde o racional e o mágico se entrelaçam. O protagonista, com uma personalidade ambígua, simboliza o confronto entre o progresso científico e as tradições enraizadas, sendo o romance uma metáfora da própria inquietação intelectual de Jorge de Sena.
Um pormenor que torna a narrativa completamente inovadora é que Jorge de Sena simula a forma de escrever dos cronistas dos séculos XIV e XV, bem como a dos poetas provençais e seus continuadores, entre os quais o nosso rei D. Dinis, inserindo no texto cantigas de amigo ou cantigas de escárnio e maldizer originais, de sua autoria.
A narrativa, cheia de referências culturais e literárias, convida à reflexão sobre os limites do conhecimento e da moralidade, ao mesmo tempo que critica, de forma subtil, o dogmatismo e a intolerância.
O autor revela, através desta obra, o seu domínio estilístico e a sua capacidade de criar atmosferas densas e provocadoras, tornando “O Físico Prodigioso” uma leitura indispensável para quem aprecia literatura de questionamento e profundidade. Em suma, trata-se de um livro que transcende géneros, abordando questões universais e intemporais, e que permanece relevante pela sua ousadia formal e pelo vigor do pensamento crítico. “O Físico Prodigioso” confirma Jorge de Sena como um dos grandes renovadores da literatura portuguesa do século XX.
H. G. Wells foi um escritor inglês nascido em Bromley em 1866 e falecido em Londres em 1946, mais lembrado pelos seus romances de ficção científica, tendo sido chamado o “pai da ficção científica”. Os seus romances mais conhecidos são “A Máquina do Tempo”, “O Homem Invisível” e “A Guerra dos Mundos”.
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O meu mais recente programa de rádio da série “Grandes autores Grandes livros” foi sobre Lewis Carroll, um escritor inglês que nasceu em 1832 em Daresbury, na Inglaterra, e faleceu em Guildford em 1898. Foi um dos precursores da poesia de vanguarda, mas é conhecido especialmente pela sua obra “Alice no País das Maravilhas”.
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“Sei porque canta o pássaro na gaiola” é o primeiro volume da série autobiográfica de Maya Angelou, publicado originalmente em 1969. Este livro, cuja tradução portuguesa mantém a poética do título original (“I Know Why the Caged Bird Sings”), tornou-se um marco incontornável da literatura afroamericana e feminista, não apenas pelos temas abordados, mas sobretudo pelo estilo lírico e direto com que Angelou narra a sua infância e adolescência no Sul dos Estados Unidos, durante as décadas de 1930 e 1940.
A narrativa acompanha Maya (cujo verdadeiro nome é Marguerite Ann Johnson) desde a infância em Stamps, no Arkansas, até à adolescência em São Francisco. Angelou detalha as dificuldades enfrentadas devido ao racismo institucionalizado, à pobreza e à violência, incluindo o trauma do abuso sexual que sofreu. No entanto, descreve também a resiliência, a busca de identidade, o amor familiar e a descoberta do poder transformador da literatura e da palavra.
A metáfora do pássaro na gaiola é utilizada no título pela autora para ilustrar a luta pela liberdade e dignidade das pessoas negras num contexto opressivo, e não só neste caso dos afroamericanos. O canto do pássaro representa a esperança e a afirmação da humanidade frente à adversidade. Ao longo da obra, Angelou explora temas universais como a discriminação, o sexismo, a maternidade e a autoaceitação.
O estilo de Angelou combina crueza com lirismo. A autora emprega uma linguagem simples, mas carregada de emoção, com descrições vívidas que transportam o leitor para o ambiente de segregação do Sul dos Estados Unidos. A musicalidade do texto e as referências à cultura afroamericana – nomeadamente os erros de linguagem oral, as letras de hinos espirituais ou de blues – enriquecem ainda mais a leitura.
A honestidade com que Angelou relata episódios dolorosos, sem cair em sentimentalismos patéticos, confere ao livro uma grande autenticidade. A voz narrativa mistura vulnerabilidade e força, e revela um profundo respeito pela dignidade dos marginalizados.
“Sei porque canta o pássaro na gaiola” foi um dos primeiros livros a abordar de forma aberta o abuso sexual e o racismo do ponto de vista de uma mulher negra americana, tornando-se uma referência para gerações subsequentes de escritores e ativistas. A obra foi amplamente aclamada pela crítica e frequentemente incluída em programas escolares e universitários, embora também tenha sido alvo de tentativas de censura devido à franqueza do seu conteúdo, nomeadamente na descrição de cenas de violência física ou sexual.
Para além do seu valor literário, o livro é um testemunho fundamental da luta pelos direitos civis, tornando Maya Angelou uma voz crucial no panorama cultural e político dos Estados Unidos.
“Sei porque canta o pássaro na gaiola” continua a inspirar leitores em todo o mundo, não só pelos amantes da literatura autobiográfica, mas também para todos os que procuram compreender as feridas abertas pelo racismo e a coragem necessária para as superar. Maya Angelou oferece-nos um relato pungente, belo e sempre oportuno, pelo que permanece tão relevante hoje como à data da sua publicação.
“A Insustentável Leveza do Ser” é uma espécie de grande crónica acerca da frágil natureza do destino, do amor e da liberdade humana. Mostra como uma vida é sempre um rascunho de si mesma, como nunca é vivida por inteiro, como é impossível de se repetir e como o amor pode ser frágil.
Em “A Insuportável Leveza do Ser”, o autor estuda o mito nietzscheano do eterno retorno. Foca-se no facto de que o Homem vive apenas uma vez; a sua vida não se repete, e ele não pode corrigir os seus erros. E como a vida é única, o homem prefere vivê-la com leveza, numa absoluta ausência de responsabilidade, se lhe possível.
A ação inicia-se em Praga, em 1968, o ano da invasão russa na Checoslováquia, e centra-se no médico cirurgião Tomas que procura alcançar a felicidade através da liberdade sexual. Para além desta personagem, destacam-se Tereza, uma fotógrafa, que Tomas recolheu em sua casa e considera a sua mulher, embora seja casado com outra, com que tem um filho; Sabina, uma pintora, e uma das muitas amantes de Tomas; Franz, um professor universitário, que é apaixonado por Sabina, mas que, para ela, não passa de mais um dos seus parceiros para o sexo. A vida e os planos amorosos destas personagens são afetados pela invasão soviética à capital checa, com o fim de esmagar o movimento para a restauração da democracia, que ficou conhecido como “primavera de Praga”.
Kundera explora a filosofia do “eterno retorno” de Nietzsche. Para Kundera, não há retorno, só temos uma vida e cada momento da nossa vida é irrepetível: se não aproveitarmos cada momento, ou se tomarmos a decisão errada em cada situação concreta da vida, não nos será dada uma segunda oportunidade, vamos ter de arrotar com as consequências até morrermos.
Mas Kundera questiona a natureza da existência, a noção do que é certo ou errado. A metáfora central do livro contrapõe a leveza ao peso: a leveza pode ser libertadora, mas também vazia, enquanto o peso confere sentido à vida, mas é também opressor. Essa dualidade permeia as decisões dos personagens, mostrando que não há respostas definitivas para as questões existenciais que enfrentam. Por isso, todas as decisões estão simultaneamente certas e erradas, tudo tem um lado bom e ou lado mau, tudo nos eleva e rebaixa, tudo geram felicidade e dor, tudo é um passo em direção à vida e à morte.
Numa das sete partes do livro, Kundera apresenta a sua definição de kitsch: aquilo que nos leva a esconder os lados feios da vida e a nossa recusa da morte. A expressão que usa para definir kitsch é: “Kitsch é a negação da merda”. Afirma que nenhuma ideologia está isenta de temer esta definição: seja católica, protestante, judaica, comunista, fascista, democrática, feminista, americana, nacional, internacional, etc. Através da metáfora da “merda”, Kundera pretende significar tudo o que todos, qualquer que seja a sua ideologia, a sua crença ou o seu estatuto social, procuram esconder, aquilo que as pessoas só mostram na intimidade e as ideologias escondem das massas que as apoiam. kitsch é, portanto, aquilo que achamos vergonhoso e achamos que nos coloca mal, se for visto ou divulgado.
A obra apresenta uma estrutura não linear, recurso que facilita a compreensão da personalidade de cada personagem. No entanto, pode confundir alguns leitores, com os seus avanços e recuos. Saliente-se ainda a linguagem complexa e, por vezes, abstrata, dados os conceitos filosóficos que são abordados no romance. Em resumo: “A Insustentável Leveza do Ser” é uma obra rica em reflexões filosóficas e emocionais, que desafia o leitor a considerar a complexidade da vida e as escolhas que moldam a nossa existência. Através dos seus personagens e das suas interações, Kundera oferece uma visão profunda sobre a condição humana, tornando o livro uma leitura essencial para aqueles que procuram entender as nuances da vida e do amor.
“A Cabana do Pai Tomás” (“Uncle Tom’s Cabin”), escrito por Harriet Beecher Stowe e publicado em 1852, é uma das obras mais marcantes da literatura norte-americana do século XIX. Traduzida em todo o mundo, incluindo para português europeu e brasileiro, tornou-se um símbolo da luta contra a escravatura nos Estados Unidos e um marco na consciencialização social sobre o tema.
O romance foi escrito num período de grande tensão social e política nos Estados Unidos, quando a escravatura era ainda uma realidade profundamente enraizada, especialmente nos estados do sul. A publicação do livro teve um impacto imediato e alimentou debates que culminariam, anos mais tarde, na Guerra Civil Americana. Stowe inspirou-se em relatos reais de escravos e abolicionistas, dando voz a personagens que, até então, eram silenciados pela sociedade dominante.
A narrativa centra-se em Tomás, um escravo negro bondoso e profundamente religioso, cuja vida é marcada por sucessivas perdas, separações familiares e sofrimento, mas também por uma notável capacidade de perdoar e manter a esperança. A história acompanha a sua trajetória desde a plantação de Arthur Shelby até às mãos do cruel Simon Legree. Paralelamente, outras personagens, como Eliza e George Harris, representam a luta pela liberdade e o desejo de reunir a família.
Stowe constrói personagens tridimensionais, explorando não só os horrores da escravatura, mas também a complexidade moral dos seus protagonistas — tanto escravos como senhores. A autora utiliza o poder da empatia para aproximar o leitor da realidade dos escravizados, desafiando os preconceitos do seu tempo.
A linguagem de Stowe é acessível, marcada por descrições vívidas e diálogos emotivos. O ritmo narrativo é consistente, alternando entre momentos de tensão e de introspeção. A autora recorre frequentemente à ironia e ao apelo direto ao leitor, convidando-o à reflexão sobre o papel individual na perpetuação ou combate das injustiças sociais.
Mais do que um romance, “A Cabana do Pai Tomás” foi um instrumento de mudança social. Diz-se que Abraham Lincoln, ao encontrar-se com Stowe, terá afirmado: “Foi a senhora que escreveu o livro que começou esta grande guerra.” Embora esta frase possa ter sido romantizada ao longo do tempo, ilustra bem o peso simbólico da obra.
O livro contribuiu para a mobilização da opinião pública contra a escravatura e para o crescimento do movimento abolicionista. Ao mesmo tempo, é importante reconhecer que a obra reflete, em parte, os preconceitos e os limites do seu tempo, nomeadamente na forma como representa certas personagens e culturas.
Desde a sua publicação, “A Cabana do Pai Tomás” foi alvo de aclamação e de críticas. Se por um lado foi louvado pelo seu humanismo e coragem, por outro foi criticado por perpetuar alguns estereótipos raciais. Ainda assim, o seu valor histórico e literário permanece indiscutível, sendo leitura obrigatória em muitas escolas e objeto de adaptações teatrais, cinematográficas e televisivas.
“A Cabana do Pai Tomás” é uma leitura fundamental para quem deseja compreender a história da escravatura, a evolução dos direitos humanos e o papel da literatura como agente de transformação social. Apesar de algumas limitações inerentes ao contexto em que foi escrito, o romance de Harriet Beecher Stowe continua a desafiar consciências, incentivando a empatia e o compromisso com a justiça social.